terça-feira, maio 31, 2011




Templo da Prainha, em Belém-PA, na Rod. Augusto Montenegro, construido originariamente em madeira há 50 anos e reconstruído em alvenaria com os traços arquitetônicos (fachada) do antigo templo central da AD a partir de fotografias.

Centenário da Assembleia de Deus: comemorar pra quê?


No dia 18 vindouro, se Cristo ainda não tiver vindo buscar seus escolhidos, milhões de evangélicos no Brasil e até no exterior estarão comemorando o centenário de fundação da denominação evangélica Assembleia de Deus, criada em Belém, capital do Estado do Pará, no dia 18 de junho de 1911, tendo como fundadores os missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, vindos de Chicago, USA, desembarcando de navio no porto de Belém no dia 19 de novembro do ano anterior. Milhões de reais e grande contingente de pessoas e recursos tecnológicos estão sendo mobilizadas e disponibilizados para essa comemoração. A Bíblia, o livro usado pelos evangélicos de qualquer denominação do Planeta, não registra a comemoração de fatos, mesmo que seja rica em acontecimentos relevantes. A exceção da Páscoa instituída próximo à saída do povo hebreu do Egito, sua última comemoração foi na noite em que Jesus foi traído, quando Ele se reuniu com seus discípulos e instituiu a Santa Ceia. O apóstolo São Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios escreve que Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e tendo dado graças, o partiu e disse: “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim”. Logo, a única celebração, a única comemoração, a única festa do verdadeiro cristão é a Ceia do Senhor, em sua memória, anunciando sua morte até que Ele venha, pois Ele ressuscitou! Nada é mais importante do que essa recomendação! Nenhuma outra festa precisa ser comemorada. Os milhões de reais que foram e estão sendo gastos para comemorar o centenário de uma denominação evangélica poderiam estar sendo usados para a recomendação final do Salvador, quando se despedia para em seguida subir ao Pai: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos, 16:15). Quantos obreiros passam necessidades e dificuldades em levar o Evangelho da Salvação porque estão sem recursos econômicos? Enquanto isso milhões e milhões são gastos numa comemoração que se não, aproxima-se da idolatria, como a confecção de camisas, banners, faixas e uma série de utensílios desnecessários. Para comemorar o aniversário da fundação de uma igreja? E se Cristo vier hoje, amanhã, antes do Centenário da AD? Muitos ficarão e então irão entender porque está escrito que muitos são chamados, mas poucos os escolhidos; e que nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus”. Minha mãe, hoje com 86 anos, convertida ao Evangelho do Reino desde a década de 50, viera de Maracanã, interior paraense, onde morávamos e onde era professora primária, para um curso de atualização em Belém, isto ocorrendo em junho de 1961, mês e ano em que se comemorava o cinquentenário da AD, sem a pirotecnia atual. E no dia 18 daquele mês e ano, um domingo, esteve no culto do antigo templo central, ainda não faraônico como é atualmente. O missionário Gunnar já passara ao Senhor e Daniel Berg viera e estava naquele culto, sendo anunciado várias vezes durante seu transcurso. E quando foi passada a palavra ao velho missionário todos silenciaram para ouvi-lo. Daniel abriu a Bíblia e, sem gritar, sem pular ou fazer outro qualquer gesto apelativo, leu a passagem das Escrituras que escolhera, agradeceu e encerrou sua participação. Ele que lançara a rede incontáveis vezes, percorrendo o interior paraense pregando o Evangelho, falando sobre o Plano da Salvação, se portou de forma humilde, sem alarde, sem chamar a atenção para si, pois o personagem central daquela reunião não era outro senão Cristo, nosso Salvador. A comemoração do centenário é totalmente inoportuna e impertinente, pois não precisamos comemorar centúrias ou outros aniversários de fatos, mas louvar ao Senhor, celebrar ao Senhor merecedor de toda honra, anunciar a sua salvação e o seu reino até que Ele volte! Amém!

Um comentário:

Maria Cristina disse...

Olá Roberto,
Concordo com o fundo de sua argumentação, no sentido de que diante de tantas necessidades, gastos dessa natureza parecem supérfluos. Por outro lado, do ponto de vista das instituições (não só igrejas), comemorações são também momentos de manifestação simbólica de seu poder.
Não entro aqui no mérito de suas considerações religiosas, pois foge de minha competência.
Mas, de um modo geral, há algum tempo tenho refletido que as festas coletivas, as comemorações públicas têm razão de ser no contexto social tão problemático em que se vive, no qual não faltam guerras e violências. Nesse sentido, as festas são bem vindas. Agora, isso não implica que os membros não possam questionar padrões, modalidades de tomada de decisão, envolvimento dos pares etc.