domingo, maio 15, 2011





O perfil do policial cibernético


Não caiu bem a pose e a indumentária usada pela policial que dirige a Delegacia de Crimes Tecnológicos na fotografia veiculada pela mídia local, na edição de ontem (domingo), para ilustrar a contribuição da mulher policial no enfrentamento aos fora-da-lei. O pesado colete à prova de balas, assim como a pistola calibre 40 ostentados tornou sua figura caricata. É que seu biótipo mignon conflita com a imagem rambesca passada pela foto, uma vez que os infratores com os quais ela lida, chefiando investigações no campo da informática, pouco ou quem sabe, nem usam armas de fogo. A arma que eles usam é o computador e a munição os bytes, gigabytes, downloads, uploads, softwers e toda a parafernália intuitiva que às vezes nem os engenheiros da computação alcançam ou têm intimidade. E dessa forma eles invadem contas correntes, programas e segredos industriais. Esta a é síntese mais elementar do que significa delinquir no campo virtual. Não há aqui a menor intenção de deslustrar o importante e eficiente trabalho da policial, mas a de alertá-la, uma espécie de cave ne cadas (cuidado, não caias), principalmente porque ainda é muito jovem, assim como aos de sua geração, a não adotar o ultrapassado modelo de que é com revólveres, pistolas, fuzis e outros instrumentos bélicos que se faz polícia. Há anos, quando passei a integrar as hostes policiais, já discordava da afetação que envolve e domina grande parte de policiais, a de que só é policial quem põe uma arma na cintura e empunha outra, algemas nas algibeiras, um cinto com munições caindo dos ombros (à bandoleira) sobre colete à prova de balas etc. E ocupando uma viatura vai às ruas prender ou fazer barreira para revistar pessoas e veículos. Este é o perfil do policial dito operacional. E quem não encarnar esse modelo não é considerado polícial na essência, lema dominante desde o século passado. E este é o paradigma que precisa ser quebrado. E parece que vai custar muito. Além do mais, o órgão policial civil tem atribuições constitucionais de polícia judiciária, a de apurar a autoria, materialidade e circunstâncias de uma infração penal. Sempre me opus ao modelo ainda dominante, mesmo que de forma discreta, para não ferir suscetibilidades, atrair antipatia e retaliações, principalmente da cúpula, desde a investidura no cargo de delegado, há duas décadas, mesmo tendo prestado o serviço militar por vários anos, participado de cansativos treinamentos e feito centenas de disparos com pistolas, fuzis e metralhadoras nos estandes militares. Portanto, a policial de quem me refiro, em nada subtrairia em credibilidade, empenho, atuação, capacidade profissional, talento, se tivesse aparecido, como em outras vezes, a frente de sua segunda principal ferramenta de trabalho, o computador, haja vista que a principal mesmo é a associação de conhecimento técnico, inteligência, raciocínio lógico, perspicácia e demais atributos necessários ao policial que realiza e dirige as investigações com o objetivo de elucidar a ação criminosa, principalmente quando foge do trivial e se volta para os conhecimentos cibernéticos. A instituição policial hodiernamente precisa quebrar esse paradigma de antanho. Isto não quer dizer que precise abrir mão de seu segmento armado para o enfrentamento eventual de assaltantes, seqüestradores e demais delinqüentes que fazem das armas de fogo seu principal instrumento, cujo combate pode ser feito também pela Polícia Militar a quem incumbe a ação preventiva e ostensiva. Mas, via de regra, é preciso muito mais o uso da inteligência do que a força e o confronto violento, pois, há muito chegamos ao século 21. Sei que este posicionamento provocará a grita de muitos, quem sabe da grande maioria, mas enfatizo, usando da analogia, que nem todo médico faz uso do bisturi, sem que dessa forma seja menos importante entre seus pares. Assim, nem todo policial precisa transformar-se em Rambo para obter respeito, admiração e sucesso no seu mister.

02/08/2010

NOTA DO AUTOR - Este texto, como se vê pela data, escrevi em agosto do ano passado, mas resolvi não publicar. Este ano, recentemente, uma outra matéria jornalística trouxe outras policiais posando com armas de fogo, inclusive a anteriormente referida. Mudei de idéia.

4 comentários:

Anônimo disse...

lamentavelmente o senhor parece aquelhe atacante fracassado,só chega na bola atrasado,ou seja,um zé augusto piorado.

ROBERTO PIMENTEL disse...

Você deve ser torcedor daquele clube de escudo arrancado da fachada do estádio!
Bem, se for o Zé Augusto , centroavante do Papão da Curuzu, o de muitos cognomes como “Terçado Voador”, “Zé da Galera”, “Zé da Fiel”, o comentário não deixa de ser elogioso.
É que esse Zé Augusto que você (Anônimo) grafou erroneamente com letra minúscula, desconhecendo regras básicas do idioma pátrio, assim como, “aquelhe” (quando deveria ser aquele, sem a letra h), está há mais de 10 anos no mesmo clube, tendo participado na conquista de grandes títulos, tais como o de campeão brasileiro da série B, em 2001, campeão da Copa Norte, em 2002, Campeão dos Campeões (título nacional), em 2002, com a participação dos grandes clubes do Brasil, numa final emocionante com o Cruzeiro, a Raposa das Alterosas, em Fortaleza; uma participação na Copa Libertadores da América, em 2003, afora a maioria dos títulos estaduais paraenses.
No fundo do fundão, como dizia Cleo, você acabou me fazendo um baita elogio, atirou-me com bala de açúcar rs rs rs

Anônimo disse...

o senhor gosta de fazer correções gramaticais, gabando-se,em conhecer profundamente regras basicas do idioma pátrio,tambem pudera,queria dispor de um ano para postar minhas reflexões,seria um abraço.

ROBERTO PIMENTEL disse...

É verdade, quando há tempo disponível tem que ser usado de forma qualitativa.
Você ainda chegará nesse estágio que é um privilégio concedido por Deus.
As regras básicas são frutos da leitura constante. Leio desde criança, contos, crônicas, poesias e demais textos dos livros didáticos do curso primário e depois do ginásio.
E nesse curso da vida vieram os romances da literatura nacional e internacional.
Não tive tanta opção de lazer quando adolescente então eu lia, lia, lia. Tinha que aprender.
Mesmo assim tenho meus erros gramaticais que não são percebidos por todos.

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